“Fucking N’Elas”, de Rui Vicente, é o contrário do que parece – um título machista para uma história em que as personagens fortes e dominadoras são as femininas. As mulheres ganham sempre, escreve-se a dado passo no texto. Paulo, advogado em princípio de carreira, a quem maldosamente é atribuída a alcunha que dá nome ao romance, vai perder-se por Dânia, uma cliente inteligente e bela, indiciada pela prática de um homicídio, que subtilmente o conduz ao crime. “Agora pertences-me”, diz-lhe ela. Esse amor insensato leva-o a segui-la sem saber o que o espera: outra vida, a morte? O desejo não se explica, basta-se – “fechei os meus olhos e só te vi a ti”.
“Ele sem dizer uma palavra, já tudo fora dito, afagou-lhe os cabelos, entrou-lhe nos olhos, as respostas que queria encontrar não estavam lá, as dúvidas de novo, que devo fazer, se Deus existisse haveria de lhe perguntar como os outros fazem, o que devo fazer, e ele diria, parte, chegou o momento de partires, vai, não fiques aí, não te ofereças em sacrifício a essa mulher, pressentes isso? O que me pedes já o pensei, já o senti. Mas, e queres saber a ironia, vou ficar – pertenço-lhe.”